Pular para o conteúdo
Voltar
Spec-Driven DevelopmentTypeScriptModel Context ProtocolPostgreSQLVector SearchGitHub ActionsHarness Scoring

Engenharia Assistida por IA

Contexto

Trabalhar com IA em engenharia pode significar coisas muito diferentes. Para mim, IA é uma peça central do fluxo — não um chat aberto que gera código por instinto. É uma prática sistemática com artefatos verificáveis: specs vivas que evoluem com o código, ferramentas que eu mesmo construí para viabilizar o processo, e quality gates objetivos que decidem se o trabalho está pronto.

Essa página resume a prática como ela aparece nos meus projetos — Zapytos, 42 ADM BPO, 42 Files e o próprio SpecHub.

Desafio

Três problemas aparecem quando IA entra no fluxo de engenharia sem processo:

  • Contexto transborda: specs reais são grandes. Quando o agente recebe o documento inteiro, a qualidade do output cai. Quando recebe um trecho solto, alucina. Não dá para ignorar essa restrição.
  • Documentação morre: PRDs e specs técnicos são escritos antes do código, abandonados durante a implementação e nunca revisitados. O resultado é um artefato inútil que mente sobre o sistema.
  • Qualidade é subjetiva: "parece bom" não é critério de merge. Sem gate objetivo, código gerado por IA vira dívida técnica a pagar em seis meses.

E um quarto problema, mais sutil: features que cruzam repos (API + worker + frontend + infra) precisam de memória compartilhada entre agentes — persistente, versionada e semanticamente pesquisável.

Solução

A prática tem quatro camadas que se reforçam.

1. Specs vivas. Toda feature começa com um spec que evolui junto com o código — agentes e humanos atualizam seções no meio da implementação, não depois. Zapytos e 42 ADM BPO usam esse padrão em todas as features. A documentação deixa de ser insumo descartável e vira fonte viva de verdade.

2. SpecHub — a ferramenta que eu construí para escalar a prática. Servidor MCP open-source que serve como memória compartilhada entre agentes IA. Em vez de injetar o spec inteiro no contexto, o agente consulta via tools e recebe só a seção relevante. Busca semântica + lexical combinada, embeddings locais com custo zero por token, gravação atômica que não deixa estado pela metade. Funciona com Cursor, Claude Code, Windsurf, Codex.

3. Quality gates objetivos. Não aceito "parece bom" como critério. Cada projeto tem um harness que mede qualidade mensurável — typecheck, cobertura, circularidade de dependências, lint, testes de contrato. No 42 ADM BPO, o gate é uma pontuação máxima: sem ela, sem merge. Vale para código escrito por humano ou por IA — mesma régua.

4. Dogfooding. O SpecHub tem seu próprio PRD, spec técnico e issues numeradas escritas spec-first antes do código. É a mesma prática, aplicada ao próprio projeto que codifica a prática.

Resultados

  • 42 ADM BPO: SaaS multi-tenant completo entregue em produção, com cronograma, checklists, dashboard executivo e comunicação automatizada com clientes.
  • SpecHub: open source público, com imagem Docker pronta para subir em qualquer host. Funciona com qualquer cliente MCP moderno.
  • Zapytos: produto B2B em produção, com fluxo ponta a ponta de orçamento a aprovação via WhatsApp.
  • Prática consolidada: documentação evolui junto com código; qualidade é mensurável em vez de subjetiva.

IA aqui não é ferramenta de marketing — é o que permite entregar SaaS multi-tenant com rigor de produção em prazos curtos, sem abrir mão de qualidade mensurável.